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Mão de obra carcerária garante qualidade técnica e elevado padrão para a nova sede administrativa da SEAP

Oficina de Marcenaria com internos do sistema prisional

A qualidade técnica e o elevado padrão do trabalho desenvolvido pelos internos do sistema prisional do Maranhão foram provados com a entrega da nova sede administrativa da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), agora localizada no bairro Vila Palmeira, no antigo prédio do Colégio Universitário (COLUN).

Durante a inauguração, o governador Flávio Dino (PCdoB) se mostrou impressionado com o nível de acabamento dos móveis e da estrutura física do prédio. Os trabalhos desenvolvidos pelos presos atenderam desde a construção dos móveis; recuperação da estrutura metálica e instalação da cobertura dos blocos; até a parte de alvenaria, hidráulica e elétrica.

Os móveis, todos feitos com MDF de alta qualidade, foram confeccionados por quatro internos, em apenas 18 dias de trabalho. O mobiliário foi pensado por profissionais da área de arquitetura da Seap, de modo a valorizar a harmonização com o ambiente, levando em consideração o layout e as cores de cada peça; mas todos construídos pelos internos.

Internos do sistema prisional trabalhando nos serviços estruturais e de acabamento da nova sede da Seap (1)

“O desenho das estações de trabalho foi feito por arquitetos da Seap, bem como a locação desse mobiliário. Mas a execução foi feita estritamente com mão de obra carcerária, o que demonstra que toda a capacitação técnica dada aos internos valeu a pena”, avalia o gestor de Administração, Logística e Inovação Penitenciária (ULIP) da Seap, Raphael Silva e Silva.

O valor estimado para a produção dos móveis, levando em conta os insumos e a remuneração dos profissionais envolvidos, foi de cerca de R$ 120 mil. Caso fosse feita a aquisição dos móveis prontos, por exemplo, o custo aproximado a ser investido seria de cerca de R$ 500 mil. “Ou seja, alcançamos uma economia de 76%, só na produção dos móveis”, calcula o gestor da ULIP.

A confecção dos móveis é resultado da ‘Oficina de Marcenaria’, que possui três marceneiros profissionais como instrutores dos internos. Ao todo, foram construídas 50 estações coletivas de trabalho, acomodando cerca de 500 servidores. Entre as peças produzidas estão mesas de trabalho dos setores; e os armários que ainda serão confeccionados.

Internos do sistema prisional trabalhando nos serviços estruturais e de acabamento da nova sede da Seap (3)

ESTRUTURA

Sob a supervisão da Unidade Gestora de Manutenção e Automação (UGMA) da Seap, a rotina dos 150 internos envolvidos com a obra começava cedo, por volta das 8h. De segunda-feira a sábado, por quase um ano, os internos do sistema prisional trabalharam para desempenhar todos os serviços estruturais no antigo prédio, ao lado do Colégio Militar Tiradentes.

O gestor da UGMA e Agente Estadual de Execução Penal, Fabrício Gomes, falou que com a conclusão da obra, quem ganha é a população. “A obra tem um impacto positivo, pois antes dos serviços, o local servia como ponto de uso de drogas, esconderijo para bandidos e depósito de lixo. Agora o local tem uma utilidade positiva”, lembra o gestor formado em Engenharia Civil.

O dia a dia dos internos, no ambiente de trabalho, começava com a distribuição das equipes para as devidas funções. Os grupos, compostos por aqueles com aptidões específicas em alguma área, se dividiam entre aqueles que faziam o acabamento e pintura do prédio, realizavam a recuperação estrutural da área e desenvolviam serviços de hidráulica, elétrica, pavimentação e paisagismo.

Internos do sistema prisional trabalhando nos serviços estruturais e de acabamento da nova sede da Seap (2)

Em relação a serviços de elétrica, por exemplo, foi feito pelos detentos a passagem subterrânea dos cabos de energia, instalação de todas as tomadas, retirada de toda fiação antiga e a troca desta pela nova. Já a alvenaria perpassou pela parte estrutural como reboco, incluindo composição de pilares, vigas e fundações capazes de dar estabilidade ao novo prédio.

O interno Weberth Martins, de 37 anos, disse que teve uma nova oportunidade por meio do trabalho de construção da nova sede da Seap. “Esse trabalho, para mim, é de fundamental importância para que eu possa ter novas oportunidades e voltar à sociedade de cabeça erguida. Hoje, minha rotina é outra, e isso é muito bom para mim e para a minha família”, avalia Weberth.

Apesar da obra concluída, os internos do sistema prisional permanecem realizando os mais diversos serviços estruturais e de manutenção na nova sede administrativa da Seap e, também, em outros prédios públicos do Estado. Atualmente, existem mais de 2 mil internos inseridos em 136 oficinas de trabalho, em Unidades Prisionais do Maranhão.

nova sede da seap

Texto: Alan Jorge | Saulo Maclean

Fotos: Clayton Monteles

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